Guilda dos Rocas - Agentes Abissais
- 1 de fev.
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05/04/257
A narrativa de "heroísmo" tecida pelos Roca começa a esfarelar sob a luz do dia, revelando uma trama que cheira menos a glória e mais a enxofre. Se a presença da criatura em Costas do Gigante já era um insulto à paz pública, o trajeto até o Planalto dos Ventos provou ser um verdadeiro desfile de impunidade e conveniências cuidadosamente arquitetadas.
Por que a pressa? Por que o sigilo das sombras de Pedradura? A pergunta que não quer calar nos salões de Picoaureo é: desde quando a Guilda dos Roca se tornou o serviço de acompanhamento de luxo para as aberrações de Laspedras? O que será de nós, a partir de agora? Quantos mais serão enganados e ludibriados pelos, como Jorge, o taverneiro de Sopro Divino, que procura por Cyrax, para pagar as dividas do demônio.
É, no mínimo, conveniente que tal movimentação ocorra sob o pretexto de "escolta diplomatica" justamente quando os olhos do reino deveriam estar voltados para a segurança de sua população. A população se questiona se os "Bravos" de Elnorim estão servindo ao Rei ou se tornaram meros despachantes de influências abissais. Estariam os Roca agindo como uma guilda de aventureiros ou como uma extensão diplomática de uma cidade que a maioria de nós preferiria ver esquecida nos mapas? Onde termina a "missão de proteção" e começa a cumplicidade?
O auge do desplante ocorreu durante a travessia na Ferroáurea. Relatos de passageiros descrevem o demônio — e seu cúmplice da guilda — agindo com uma liberdade afrontosa. Notem a conveniência do roteiro: enquanto o pânico se instalava no vagão, a guilda utilizava o caos para lançar insultos e distorcer a realidade, humilhando aqueles que apenas cumpriam seu dever.
Um dos funcionários da ferrovia, visivelmente abalado, relatou à nossa reportagem o nível de depravação das mentiras espalhadas:
"Aquele demônio olhou nos meus olhos e, com o apoio do membro da guilda que ria ao lado, disse para todo o vagão que eu estava desviando suprimentos de carga para o mercado negro de Laspedras! É um absurdo completo! Eu sirvo a esta linha há quinze anos com honra. Eles tentaram destruir minha reputação para se divertirem, como se a presença de uma criatura daquela natureza não fosse perturbação o suficiente. O aventureiro não o calou; pelo contrário, parecia instigá-lo a criar mais caos."
Essa "tática de desmoralização" é uma conveniência estratégica assustadora: ao acusar os trabalhadores do reino de crimes infundados, a Guilda e seu acompanhante sombrio criam uma cortina de fumaça que inverte os papéis — o monstro passa a ser o juiz, e o cidadão honrado, o réu.
Diante de tais fatos, a Gazeta Áurea levanta um questionamento necessário: o que aconteceu com a liderança dos Roca? Elnorim coloca sua "mão no fogo", mas talvez devesse se preocupar com o incêndio que está consumindo o bom senso de sua guilda. Estará o próprio Elnorim, ou os lideres dos Roca, em pleno gozo de suas faculdades mentais ao permitir que seus subordinados se tornem joguetes — ou piores, comparsas — de entidades que zombam da ordem e da moral de Picoaureo?
É muito conveniente que a liderança se silencie atrás de notas técnicas enquanto seus membros caminham lado a lado com o abismo. Ou será que a proximidade excessiva com as profundezas de Laspedras finalmente obscureceu a visão daqueles que são considerados "herois"? Quando a liderança de uma guilda confunde "decisões difíceis" com a entrega total ao escárnio demoníaco, talvez o perigo não esteja mais lá fora, mas sentado à mesa de planejamento dos Roca, aguardando a próxima conveniência para vender a alma do reino. Quando os membros desta organização sustentam seres abissais e ludibriados pessoas humildes e inocentes, como Jorge, um taverneiro de Sopro Divino, que procura por Cyrax, para pagar as dividas que este "consultor" deixou pra trás.


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