Sombras na Névoa São Dissipadas

18/06/257
Moradores de Névoa Densa voltaram a dormir com as portas apenas trancadas — e não barricadas — após a erradicação de uma criatura perniciosa pelas mãos da Guilda dos Roca. Segundo relatos locais, o ser era dado a travessuras cruéis: pregava peças, escondia ferramentas, sussurrava nomes no nevoeiro e, pior, lançava maldições que apodreciam a vegetação ao redor, deixavam pessoas confusas e faziam com que caíssem. Com o passar das semanas, arbustos tornavam-se lodo, colheitas murchavam e mortos-vivos começaram a surgir lentamente entre as árvores.
Os Roca, convocados após sucessivas queixas de viajantes e caçadores, teriam rastreado o foco das corrupções até as margens do lago central. Ali, após ritos de contenção e aço consagrado, deram fim à entidade. Desde então, afirmam os aldeões, o ar parece menos pesado e as raízes voltam a beber água limpa.
Entretanto, um novo temor emergiu entre os sussurros. Elise Folha-Densa, elfa e antiga moradora da região, afirma ter visto algo ainda mais aterrador:
“Ossos amarelados, outros cinzas, asas que não tinham pele, uma criatura medonha e grande. Uma vez, há apenas 203 anos, ouvi dizer de uma criatura grande que comia os lobos das pessoas e até os donos.”
Segundo Elise, a figura esquelética teria alçado voo de dentro do lago, rompendo a névoa como lâmina fria, antes de desaparecer nos céus. Alguns atribuem a visão ao susto da noite; outros, ao eco de lendas antigas que nunca deixaram a Floresta das Brumas.
Procurado pela Gazeta, um representante do reino, que se identificou apenas como R., ponderou:
“Os habitantes de Floresta das Brumas e muitos outros viajantes sabem que na névoa as impressões se confundem e as certezas são como sombras na bruma.”
Se a criatura voadora foi presságio ou ilusão, o tempo dirá. Por ora, os Roca celebram a purificação de Névoa Densa, enquanto o reino mantém olhos atentos aos céus e às águas.


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