Tempestade suspeita em Justafé
- Gog Aço Negro

- 10 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

10/02/257
A calmaria da última noite foi rompida não por exércitos ou bestas, mas por um fenômeno que abalou as estruturas teológicas e arcanas da cidade. Por volta da hora do lobo, uma tempestade de proporções antinaturais formou-se instantaneamente a poucos quilômetros dos portões, criando o que especialistas chamam de "poço gravitacional de eletricidade".
Enquanto a guarda da cidade isolava o perímetro temendo um ataque de magos de guerra, estudiosos e sacerdotes observavam o fenômeno das muralhas, oferecendo visões conflitantes e aterrorizantes sobre o que de fato ocorreu sob aquela cúpula de nuvens negras.
Para a comunidade arcana, a tempestade apresentava assinaturas que desafiam a meteorologia comum. A Magistra Vanya, renomada estudiosa local e devota da magia, que observou o evento de seu observatório, sugere que não estávamos lidando com clima, mas com alquimia bruta.
"Fascinante e aterrorizante," relatou a Magistra à nossa reportagem. "Detectei flutuações na Trama que sugerem uma ruptura planar ou uma transmutação de alto nível ocorrendo sob estresse extremo. A cor dos raios... havia um tom de violeta misturado ao azul, indicando magia bruta sendo queimada como combustível. O que quer que estivesse lá, estava sendo consumido ou forjado."
Enquanto os magos olhavam para a Trama, os clérigos olhavam para a alma. O Irmão Kaelen, do Templo dos dragões, descreveu uma sensação opressora emanando do epicentro, descartando a hipótese de um fenômeno natural.
"Aquilo não era a fúria dos elementos, era a agonia de uma alma," afirmou Kaelen, visivelmente abalado. "A eletricidade não caía do céu para a terra, ela parecia brotar do chão para tentar rasgar o céu. Havia maldade naquele vórtice, uma maldade antiga gritando para ser libertada."
Essa visão de um "conflito físico e espiritual" foi corroborada por Thorgar, ferreiro local e devoto, que assistiu ao espetáculo com um misto de medo e reverência:
"Nunca vi o céu bater tanto em um só homem. Parecia que os deuses estavam testando a fibra de alguém, marretando o ferro na bigorna. Mas quando a luz de prata desceu... ah, aquilo foi diferente. O barulho parou como se alguém tivesse cortado a garganta da tempestade."
O aspecto mais unânime — e misterioso — dos relatos refere-se ao fim abrupto do cataclismo. Testemunhas afirmam que, no ápice do barulho ensurdecedor, uma luz fria e absoluta explodiu do centro, dissipando as nuvens negras em segundos.
A Noviça Ilyana, ainda trêmula após os ritos da manhã no Templo de Lua, ofereceu a explicação que mais tem ganhado força entre o populacho:
"Nós a sentimos antes de vê-la. A Senhora da Prata não grita como o trovão; ela sussurra. Quando a tempestade estava no auge, vimos o brilho prateado romper as nuvens negras. Não foi um raio, foi um abraço. A lua reivindicou aquela noite. Seja quem for que estava lá fora, agora pertence a Ela."
Nesta manhã, nenhuma vítima foi encontrada no local — apenas terra vitrificada e marcas de queimadura em um raio perfeito, desenhando um círculo de silêncio onde antes o caos reinava.
Seja uma transmutação arcana, um teste divino, ou um exorcismo purificador , uma coisa é certa: Justafé dormiu com medo, mas acordou sob uma nova, e misteriosa, proteção. Resta saber se o que saiu daquela cratera foi um homem, um monstro, ou algo inteiramente novo.




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